Vida de Mamãe

Uti Neonatal – Depoimento de uma mãe

Falar em UTI Neonatal (Unidade de Terapia Intensiva para recém nascidos), assusta algumas mães, mas não tem motivos para tanto medo assim.

O primeiro ponto a pensar, é que se os médicos fazem essa opção de acompanhamento do bebê, é porque percebem a necessidade de cuidados especiais, o que de início é um choque, mas no final das contas faz toda diferença na saúde do recém nascido.

Pode parecer um comentário frio de alguém que nunca viveu essa experiência, mas não é. Passei por isso, sendo mãe de gêmeas e de primeira viagem e garanto, foi uma grande benção para mim e para minhas filhas.

O SUSTO INICIAL

Elaine e as gêmeas Hadassa e Ester

A primeira gestação, é sempre cheia de surpresas, novos sentimentos e sensações e no meu caso foi tudo em dobro, já que estava grávida de gêmeas. Foi uma gravidez muito desejada e que aconteceu naturalmente, pois tenho genética para gêmeos.

Apesar do pavor do meu marido com a notícia, fiquei radiante de felicidade, pois era a realização de um sonho que tinha desde criança: ser mãe!

Sabia que se tratava de uma concepção diferente, mas não fazia idéia do que tinha pela frente. Rotina de exames muito frequentes, crescimento rápido da barriga (que ficou gigante), e o risco durante a gestação, já que gemelar é considerada gravidez de risco.

Já tinha ouvido falar sobre UTI neonatal, mas só busquei mais informações, quando soube que na gravidez de gêmeos, o parto prematuro acontece com frequência e passei ter medo de que fosse assim com minhas filhas.

O PARTO PREMATURO

O que eu tanto temia, aconteceu: o parto prematuro. Na verdade a gravidez foi interrompida no dia em que estava completando 36 semanas, porém devido a insuficiência placentária, as bebês estavam pequenas e com aspecto mais prematuro que o normal para essa fase.

Fui submetida a uma cesariana de emergência, para evitar que a Ester, que estava com 1.5kg, entrasse em sofrimento ou viesse a óbito, devido ao problema na placenta.

A outra gêmea, Hadassa, nasceu com pouco mais de 1.9kg e aparentemente estava mais desenvolvida que a irmã, porém foi o contrário.

Ambas inicialmente foram encaminhadas para a UTI neonatal para ganho de peso e exames, já que nasceram com baixo peso.

Durante o parto, ouvindo tudo, fiquei muito aflita. Jamais esquecerei desse momento, apesar de hoje agradecer muito a Deus por minhas filhas terem sido internadas.

Ester e Hadassa

Após o nascimento delas e depois da sala de recuperação, fui para o quarto e sem poder ter acesso às minhas bebês. Dureza para uma mãe, ser separada dos bebês logo após o parto.

CONHECENDO A UTI NEONATAL

Assim que me recuperei da anestesia, pedi a enfermeira que me levasse ao encontro das minhas bebês, que já estavam sendo acompanhadas por especialistas da UTI. Além da ansiedade e dúvidas de mãe recente, estava cheia de perguntas para fazer aos pediatras neonatologistas e enfermeiras que estavam cuidando das minhas pequenas.

Inicialmente gera estranheza o “excesso” de cuidados, mas depois acostumamos e tudo vira rotina. Fazer a higienização completa das mãos e antebraços, com sabonete e água morna, seguindo os procedimentos médicos; passar álcool gel frequentemente; usar roupa esterilizada e observar as bebês fechadas na incubadora, com restrições de contato físico.

Num primeiro momento senti um ambiente impessoal e frio, mas com o passar do tempo, observando a atenção, cuidado e carinho dos profissionais com as bebês, vamos aos poucos sendo reconfortadas.

Foi nesse ambiente que fui chamada de mãe pela primeira vez, não por minhas filhas, mas pelas pessoas da equipe. Aos poucos, passei a ser identificada como a mãe das gêmeas Ester e Hadassa e até hoje é assim.

BANCO DE LEITE

Depois disso, fui encaminhada ao banco de leite, para receber as orientações e acompanhamento na coleta do leite materno, que além da higienização das mãos e antebraços e roupa esterilizada, exige higienização das mamas, cabelos presos e muita paciência até pegar o ritmo da ordenha.

Quero muito enfatizar a importância da conversa e troca de experiências com outras mães. Algumas chegando, outras veteranas, mas que sempre tem muito a agregar. Sem falar no acolhimento e empatia que flui naturalmente entre todas.

Não fique preocupada se no início só conseguir extrair pouco leite, pois é natural, já que a mama precisa de estímulo para aumentar a produção. Não compare sua porção de leite com a de outras mães, pois cada organismo funciona de um jeito e o tempo faz toda diferença na quantidade de leite.

Respire fundo e viva seu momento sem cobranças, pois elas só farão mal. Ao invés disso, foque no bem mais precioso que uma mulher pode ter, seu filho (a).

Três dias após o parto recebi alta, mas minhas bebês ficaram internadas. Chorei muito ao ter que sair do hospital, mas entendi a situação.

Minha rotina mudou mais uma vez, pois tinha que dormir todas as noites em casa e retornar bem cedo no dia seguinte para acompanhar minhas filhas e fazer a coleta periódica de leite, para que fosse dado a elas.

UMA SEMANA DEPOIS DO PARTO…

Fui chamada por uma das médicas que acompanhava minhas filhas e recebi uma notícia inesperada. O teste do pezinho da Hadassa, a bebê maior, identificou hipotireoidismo congênito e ela foi submetida a uma investigação com exames de imagem, que constataram que ela nasceu sem tireóide.

Como leiga não entendia muito do que se tratava a ausência dessa glândula tão pequena, mas a médica endocrinologista pediatra, fez questão de me explicar com riqueza de detalhes e foi aí que constatei a importância da UTI neonatal na saúde e qualidade de vida das minhas filhas.

Ao serem internados os bebês passam por uma bateria de exames e com isso é possível diagnosticar problemas de saúde precocemente e evitar danos maiores, como foi o caso da Hadassa, que iniciou o tratamento com hormônio desde o sétimo dia de vida. Se isso não acontecesse ela poderia ter sequelas irreversíveis, como por exemplo não andar, não falar e ter problemas neurológicos.

Outro ponto importante, que acho válido citar são os primeiros cuidados com o bebê, que foram todos ensinados e orientados pelas enfermeiras. Desde o aleitamento até o primeiro banho tive acompanhamento das especialistas. Grande privilégio que fez toda a diferença na rotina de casa com as bebês, depois da alta, que aconteceu quando elas completaram 24 dias de vida.

Por incrível que pareça, ironicamente passei a ter mais receio de levar as bebês para casa, já que não teria mais o auxílio de profissionais.

E você, passou por essa experiência? Tem algum medo ou receio? Compartilhe conosco!

Elaine Rota, mãe das gêmeas Ester e Hadassa. Jornalista, formada desde 2008 e empreendedora, especializada em gestão.

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