Ansiedade de separação é um dos tipos de transtorno de ansiedade que pode afetar crianças
Cuidados,  Saúde

Transtorno de Ansiedade na Infância

Será que seu filho sofre disso?

Você sabia que birra, medo, choro sem motivo, irritabilidade, dor de cabeça e até mesmo dor de estômago podem ser sintomas de Transtorno de Ansiedade na infância?

Sara Fernandes Psicóloga

A ansiedade, assim como a depressão infantil, se não for diagnosticada e devidamente tratada, pode trazer muitas consequências para saúde mental e afetar a qualidade de vida tanto das crianças quanto de sua família.

Para falar sobre esse assunto, convidamos a Psicóloga Especialista em Neuropsicologia, Sara Fernandes, que atua no atendimento clínico de crianças, adolescentes e adultos e acompanha crianças diagnosticadas com Transtorno de Ansiedade.

  1. Dizem que ansiedade é a doença do homem moderno. Da criança também? 
O ritmo de vida acelerado tem aumentando o numero de casos de transtorno de ansiedade entre crianças

A ansiedade é um sentimento natural na infância como em qualquer outra etapa da vida. No decorrer da  infância, a ansiedade surge como uma característica normal  possibilitando às crianças adaptarem-se a situações novas. Medo, timidez, e preocupações  são comuns em crianças, mas é preciso verificar se os sintomas estão associados a um nível de desenvolvimento normal ou se apresentam intensidade, frequência e prejuízos que justifiquem um diagnóstico de transtorno de ansiedade .

  1. Quais comportamentos podem ser sinais de transtorno de ansiedade infantil? 

Geralmente tem queixas somática,  de dor de cabeça e estômago, choro, irritabilidade e explosão de raiva que muitas vezes  acompanham os TA – Transtornos de Ansiedade na Infância, podem ser vistos como comportamentos de oposição ou desobediência, quando na verdade podem ser expressões de medo ou esforços da criança para evitar o estímulo que desencadeia a ansiedade.

  1. Quais as classificações ou tipos de transtornos de ansiedade nas crianças?
  • TAS Transtorno de ansiedade de separação – É comum na infância ,mas incomum na adolescência. Pode se diagnosticado em qualquer idade , mas seu início deve ser anterior aos 18 anos de idade  o aumento  da sua gravidade ocorre na fase pré-escolar ou na infância em situações nas quais a criança necessita se afastar  de casa  ou de figuras  de apegos importantes. 
O transtorno de ansiedade de separação acomete muitas crianças na primeira infância

Principais  sintomas: forte preocupação por parte da criança de que  algo  ruim possa acontecer com ela ou com seus pais, não se se sente bem quando está longe deles. A criança mostra -se  insegura, antecipando a situação de separação. Apresenta sintomas  físicos quando fora de casa. ( dores de estomago, náuseas, cefaleia.) O TAS deve ser diferenciado da ansiedade de separação que faz parte do desenvolvimento normal da criança. Segundo o DSM IV a ansiedade inapropriada e excessiva relacionada à separação do lar ou de figuras de vinculação, só pode ser diagnosticada quando são evidentes três ou mais dos seguintes aspectos por mais de 4 semanas: 

A criança sofre tanto com o afastamento de figuras de vinculação quanto com a simples hipótese de tal afastamento; Medo de sequestro ou de exposição a qualquer situação que possa levar ao distanciamento da figura de vinculação; recusa em ir à escola ou a qualquer outro lugar longe dos pais;

Sente um medo excessivo de ficar sozinho em casa ou afastado de adultos representativos na rua ou domicílio estranho; Dificuldade de dormir em quarto separado dos pais; relata ter pesadelos que envolve a separação.

Criança com transtorno de ansiedade podem sentir sintomas físicos
  • TAG Transtorno de ansiedade generalizada é um tipo de transtorno que é caracterizada por preocupação  excessiva e crônica sobre diferentes temas, associada a tensão aumentada. Apresenta sintomas fisiológicos, cognitivos  e comportamental. Não ocorre exclusivamente nem mesmo de modo preferencial numa situação determinada (a ansiedade é “flutuante”). Os sintomas essenciais são variáveis, nervosismo persistente, tremores, tensão muscular, transpiração, sensação de vazio na cabeça, palpitações, tonturas e desconforto epigástrico.( dor abdominal). Medos de que  algum familiar irá brevemente ficar doente ou sofrer um acidente são frequentemente expressos. inclui estado ansioso, neurose ansiosa e reação de angústia. 
Fobia social, pode ser confundido com timidez
  • Fobia Social (FS) ou Transtorno de ansiedade social.  Tem como características medo excessivo e persistente de uma ou mais situações sociais ou de desempenho. Onde a criança é exposta a pessoas estranhas  ou a possíveis avaliações  por outras pessoas.  Medo de ser jugado negativamente pelos outros gerando sentimentos de constrangimento, humilhação e vergonha. Caracterizam-se também por serem extremamente inibidos e autocríticos nas situações sociais que lhes geram ansiedade, comportando-se de maneira tensa e rígida, com dificuldades em articularem-se verbalmente, ocasionando prejuízos no desempenho social.
  1. Quando procurar a ajuda de um especialista?  

Comportamentos diferentes dos habituais são sinais de que o filho está precisando ser mais escutado, mais acolhido. Os pais precisam observar o comportamento da criança avaliando  se o nível de ansiedade apresentado é maior do que o esperado para a sua faixa etária, se os sintomas duram mais do que quatro semanas, se causam um sofrimento significativo nas áreas acadêmica e sociais. 

  1. Acomete crianças a partir de que idade? 
Bebês podem sofrer de transtorno de ansiedade

Crianças a partir de 8 meses de idade, podem apresentar sintomas de ansiedade sempre que se separam dos pais e isto é normal. Entre os 6-8 anos de idade, a ansiedade se volta para o desempenho escolar e o relacionamento com os colegas. Crises de ansiedade também podem ocorrer quando a criança passa por mudanças significativas como mudança de escola ou de casa, falecimento de entes queridos, chegada de  um novo irmão.

  1. O ritmo de vida acelerado tem afetado a saúde mental das pessoas. Pais estressados, podem provocar transtorno de ansiedade nos filhos?

Sim,  crianças de pais ansiosos e estressados  parecem ser mais ansiosas e medrosas, que as crianças de pais não ansiosos, e que a exposição a pais com desordens de ansiedade, predispõe a criança a desenvolver a ansiedade por modelação. O desenvolvimento emocional da criança está associado à relação pais-filhos, durante a infância, o conjunto de modelos reais disponíveis é principalmente a família, particularmente os pais. Através da identificação a criança assimila valores culturais necessários para que ela assuma seu papel na sociedade. 

  1. Hoje às crianças são estimuladas precocemente ao uso de tecnologias e expostas a muitos estímulos. Quais os impactos na saúde mental dos pequenos? 

O acesso ilimitado a tablets e smartphones pode prejudicar o desenvolvimento emocional da criança, quando esses dispositivos se tornam o método principal  para acalmar e distrair as crianças, elas não serão capazes de desenvolver seus próprios mecanismos de autorregulação. As crianças que são expostas precocemente a aparelhos eletrônicos e aquela que fazem usos excessivos,  podem  vir a apresentar  sintomas externalizante, como agressividade, desobediência, grito, choro irritado, nervosismo. Sintomas internalizantes, como isolamento, ficar sem querer conversar, chorando muito, diminuindo interação, além de distúrbio do sono, alteração do apetite, dores inespecíficas.

  1. Com o imediatismo, as crianças são submetidas à cultura do “instantâneo”. Querem tudo para ontem. O transtorno de ansiedade pode ser uma das consequências psicológicas disso? 
Choro sem motivo é sinal de alerta

Quando a  criança associa sua felicidade a cultura do  consumo,  e aprendem a querer tudo na hora sua frustração e sua infelicidade serão inevitáveis, seja pela impossibilidade de saciar o desejo, seja pela incapacidade de cultivar sua autoestima a partir de valores enraizados em sua subjetividade. Torna-se, assim, rebelde, geniosa, impositiva, indisciplinada e ansiosas. É preciso conversar com os filhos , em linguagem adequada, sobre situações e limites da vida. O mais importante, contudo, é que pais e iniciem a regulação dentro de casa. 

  1. A socialização é muito importante para desenvolvimento psicológico das crianças. Qual o impacto do isolamento social no qual foram submetidas, devido a pandemia do novo corona vírus? 

O  isolamento social repentino pode  ter consequências sérias para as crianças, muitas vezes eles não têm a compreensão do que está acontecendo caso os  pais  não deem a devida atenção e ajudem os filhos a passar por esse momento  onde  há um aumento nos níveis de ansiedade, aliado a uma dificuldade de sono e alimentação. Nesse momento, é possível que ocorram comportamentos mais agressivos.

É importante planejar atividades recreativas em que a criança  possa gastar bastante energia e desenvolver a imaginação, realizar brincadeiras entre pais e filhos pode criar uma ligação essencial neste momento. “Brincadeiras lúdicas onde a criança possa se sentir protagonista ajuda a diminuir a ansiedade.

  1. Além do acompanhamento com psicólogo, é necessário acompanhamento de psiquiatra para tratamento medicamentoso?  

De modo geral, o tratamento inclui  orientação aos pais e à criança, psicoterapia uso de psicofármacos  que deve ser prescrito por um profissional da psiquiatria ou neurologia e intervenções familiares. também deve ser avaliada a presença de comorbidade. (Comorbidades é quando um determinado transtorno leva ao desenvolvimento de outro no mesmo indivíduo.)

  1. O que os pais podem fazer em casa, no dia a dia, para ajudar a criança em crise de ansiedade? 

Respiração Diafragmática (Concentrar na respiração)

Os pais podem fazer  a prática de respiração Diafragmática.

Passo a Passo:

A técnica baseada no “mindfulness”, é bem simples. Peça para a criança se sentar confortavelmente e se concentrar no ar que entra e no ar que sai. Pode ser algo como: feche seus olhos e se concentre na sensação o ar que entra pelo seu nariz e enche o seu peito. Depois sai, esvaziando o peito e passa quentinho, saindo do nariz.  Ar  entra. Um, dois, três. Ar sai. Um, dois, três”. Pode pedir para a criança respirar e soltar o ar bem devagar  imaginando-se  assoprando uma vela bem devagar. Possibilita respirar usando toda a capacidade dos pulmões e uma maior utilização do diafragma e da cavidade abdominal.

Meditação guiada. Amigos de respiração: meditação infantil pode ajudar na concentração e amenizar o estresse e a hiperatividade das crianças. 

Passo a passo:

Pegue um bicho de pelúcia (ou outro objeto pequeno) deite-se na cama ou em um local confortável e coloque os bichos de pelúcia em suas barrigas. Respire em silêncio por alguns minutos e observe como o seu amigo( bicho de pelúcia) de respiração se move para cima e para baixo, e quaisquer outras sensações que notar. imagine que os pensamentos que entram em suas mentes se transformam em bolhas e flutuam lentamente. Sinta a presença do amigo de respiração. Enquanto está deitada com os olhos fechados, aperte ( contraia) cada músculo de seus corpos o mais forte que puder. Sinta seus dedos e pés, apertarem os músculos de suas pernas até seus quadris, apertarem suas mãos e elevarem os ombros até suas cabeças. se mantenha nessa posição durante por alguns segundos até perceber que está totalmente relaxada. Essa é uma ótima atividade para relaxar o corpo e a mente, e uma maneira totalmente acessível para entender a arte de “estar presente. Consciência corporal e após essa meditação guiada. Você estará relaxada e preparada para ter uma ótima noite de sono. • OBS: Essa meditação deve ser praticada todas as noites quando a criança for se deitar ou quando você se sentir que está ansiosa.

Além das orientações passadas pela Sara Fernandes, uma estratégia muito eficiente para ajudar crianças a lidar com suas emoções e como abordagem terapêutica é o uso de jogos.

De maneira lúdica você pode ajudar o seu filho a organizar pensamentos e gerenciais conflitos. Clique aqui e conheça jogos como essa proposta disponíveis no nosso site.

Elaine Rota, mãe das gêmeas Ester e Hadassa. Jornalista, formada desde 2008 e empreendedora, especializada em gestão.