Alimentação

Obesidade Infantil

Bebês gordinhos, crianças fofinhas é lindo de ver, mas precisamos estar atentas aos sinais de alerta e mais que cuidar da estética, zelar pela saúde dos pequenos como um todo.

Quem nunca ficou naquela expectativa de ver os bebês ou crianças comendo pra valer, de tudo e ficando mais fofinhos?

Essa é a polêmica da maioria das mães, com filhos ganhando e perdendo peso, aquela preocupação batendo e a pergunta que não quer calar “estou fazendo algo de errado?”

Mas qual o parâmetro de saúde? Crianças gordinhas ou magrinhas? Será que isso basta como referência?

A palavra de ordem para isso é MODERAÇÃO e evitar os excessos, seja de peso, alimentos nocivos, uso de eletrônicos e falta de atividade física, que é de suma importância para os pequeninos.

Mais que excesso de peso, a obesidade infantil é um problema de saúde que pode trazer muitos impactos na vida da criança e causar doenças crônicas na fase adulta.

Além do fator físico, crianças com obesidade podem sofrer problemas emocionais e psicológicos.

Em tempos de isolamento social, devido a pandemia da COVID-19, mais do que nunca é preciso combater a obesidade, pois as crianças em casa estão cada vez mais ansiosas, estressadas – o que aumenta a ingestão de alimentos – e sedentárias. Uma junção nada favorável.

Para falar sobre esse assunto, fizemos uma entrevista com a Dra Fernanda Chaves Mazza Magalhaes, Médica Endocrinologista titulada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia/ Residência médica no IEDE (Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia) / Especialização em Metabologia na Policlínica Sant Orsola Bologna (Itália)/ Médica de Serviço de Obesidade, transtornos alimentares e metabologia do IEDE.

Dra. Fernanda, como está o cenário atual da obesidade infantil?

Acredita-se que existam em torno de 22 milhões de crianças menores de 5 anos com obesidade no mundo. No Brasil, 17% das crianças até os 9 anos e 13% dos adolescentes apresentam sobrepeso. Ou seja, é uma doença preocupante devido aos riscos de complicações e que se encontra em ascensão.

Quando um bebê ou criança são considerados obesos?

Diferentemente do adulto, a avaliação de obesidade nos bebês, crianças e adolescentes pode seguir diversos critérios baseados em curvas de percentis do IMC (índice de massa corporal) gráficos traçados por dados estatísticos que deve ser acompanhado pelo pediatra assistente. O Brasil utiliza as curvas da organização mundial de saúde (OMS) classificando como obesidade quando o IMC está acima de 95 e sobrepeso quando o IMC está entre 85 e 95. 

O que a obesidade infantil pode causar?           

A obesidade infantil traz impactos na qualidade de vida a curto, médio e longo prazo se não forem realizadas intervenções adequadas para cada faixa etária. Dentre as complicações  podemos citar menor sociabilidade, menor rendimento escolar, alterações de sono, alterações de humor, alterações respiratórias  e risco aumentado de desenvolver doenças crônicas tal como diabetes.

Qual o impacto da alimentação no desenvolvimento da doença?

A obesidade apresenta diversas causas, dentre elas sedentarismo, acesso excessivo a tecnologia, alimentação nutricionalmente inadequada e condições genéticas. Existe uma correlação direta da obesidade com alto consumo de bebidas adoçadas com açúcar, excesso de carboidratos refinados como pães, doces, frituras e alimentos industrializados.

A qualidade do sono do bebê e da criança podem desencadear ganho de peso excessivo e desenvolver obesidade?

Sim. O sono sob ponto de vista de duração e qualidade apresenta interferência em liberações hormonais e hábitos noturnos, assim devemos estimular uma adequação da qualidade do sono e desencorajar a ingestão alimentar na madrugada.

Excesso de peso na gestação e diabetes gestacional pode causar obesidade infantil?

Diversos estudos buscam motivos para o desenvolvimento da obesidade infantil e são consideradas como principais fatores de risco ganho de peso gestacional, fumo durante a gestação, desmame precoce e introdução errônea de alimentos e fórmulas lácteas inadequadas.

O que as mães em casa devem observar como sinal de alerta?

A atenção ao ganho excessivo de peso deve ser dada por parte do pediatra assistente, pelos pais da criança e por professores das mesmas.

Pode trazer impactos na vida adulta?

Os impactos conforme comentado anteriormente podem ser: aumento do risco de doenças crônicas, alterações de sono, humor, complicações respiratórias, ortopédicas e do aparelho digestivo dentre outras.

Qual o médico especialista devemos procurar e qual o tratamento?

O tratamento do sobrepeso e da obesidade deve ser realizado por médico endocrinologista com apoio de profissionais da nutrição e psicologia quando necessário. O tratamento é individualizado para cada caso.      

Como prevenir a obesidade infantil?

Tanto o tratamento quanto a prevenção da obesidade dependem de mudanças comportamentais na a família como todo. Com estímulo da melhoria da qualidade da alimentação e prática de atividade física regular. Além disso acredita-se que o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês, é considerado em alguns estudos, como um dos mecanismos de prevenção de obesidade em fase adulta e por isso é estimulado.

Nessa época de isolamento social, o que as mães podem fazer parte evitar o ganho de peso excessivo em bebês e crianças?

Iniciando nesta época em que o contato familiar encontra-se mais intenso e assim podemos contar com adesão familiar maior devemos:

  • Estimular a ingestão de água sob livre demanda e limitar a ingestão de bebidas adoçadas;
  • Limitar a ingestão de alimentos de baixo valor nutricional como biscoitos e doces;
  • Não pular refeições;
  • Não forçar a criança a comer nem utilizar o alimento como recompensa;
  • Limitar o tempo de televisão e outras telas (1 a 2h/dia);
  • Estimular a prática de atividade física dentro do possível.

Este deve ser um processo progressivo, construído a partir uma nova rotina, de relações pessoais e comprometimento de toda família.

Agradecemos muito a participação da Dra Fernanda nessa entrevista e esperamos que tenha sido esclarecedora e te ajude a combater essa doença, que tem afetado tantas crianças no Brasil e no mundo.

E não esqueça de sempre procurar a orientação e acompanhamento de um médico especialista. Dependendo do contexto, assim como mencionado na entrevista, na maioria dos casos também será necessário apoio multidisciplinar com outros profissionais como nutricionista e psicólogo, para um tratamento mais completo e com mais suporte para você e seu filho (a).

Elaine Rota, mãe das gêmeas Ester e Hadassa. Jornalista, formada desde 2008 e empreendedora, especializada em gestão.

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