Independência dos filhos
Vida de Mamãe

Mãe Desnecessária e a independência dos filhos

“Mamãe sozinha!”

“Deixa que eu faço!”

“Dá licença mamãe!”

Essas são frases que andam povoando nosso diálogo e eu sinto um misto de sentimentos. Percebo que a minha bebê de pouco mais de 2 anos já não é mais tão dependente assim de mim. E eu vou me tornando cada vez mais coadjuvante na sua atuação e bate uma leve melancolia.

Na mesma hora me encho de alegria, afinal de contas não foi esse o caminho que trilhei? Mostrar para ela o quanto ela é capaz e que estarei ao lado dela quando necessário? Venho buscando me tornar uma mãe desnecessária!

Você que está lendo, pode pensar: está maluca? Eu mãe, ser desnecessária? Sim! É fundamental a gente refletir sobre esse conceito e perceber que ao longo da nossa caminhada materna é saudável que nossos filhos busquem seus caminhos, saibam fazer escolhas respeitosas para com eles e para com o outro, e que a nossa presença seja nos valores que transmitimos a partir de uma educação respeitosa e emancipadora.

Promovendo autonomia

Quando Maria Montessori diz: “Nunca ajude uma criança em algo que ela acredita que pode fazer sozinha”, ela nos provoca a refletirmos que ser humano estamos entregando para o mundo e em que realidade nossas crianças estão crescendo?

Num ambiente que promove a autonomia, uma independência ativa e uma atuação em que a criança é estimulada a analisar as possibilidades, que é permitido errar para então acertar, possibilitamos que ela faça diferente de como faríamos, respeitando sua individualidade? Ou oferecemos um ambiente que as distancia da realidade, criamos um mundo paralelo, fantasioso, que anula suas capacidades e que faz com que ela mesma não acredite que ela é capaz.

Queremos crianças dependentes, e reforçamos sua incapacidade em atividades cotidianas. Mas quando chega na pré-adolescência, mudamos abruptamente a chave e exigimos a independência: que eles deem conta de seus guarda-roupas, de suas agendas, demandamos que façam suas malas, sendo que até aquele momento nunca lhes foi permitido, pelo contrário, eles sempre foram desacreditados de sua capacidade. Não seria mais coerente com eles e com a gente se sempre fosse assim?  

É uma luta interna com a mamãe de superpoderes que habita mim, com aquela que sabe que promover a autonomia. Isso é uma verdadeira lição de amor!

Garantir que essa criança tem seus cuidados garantidos, que ela não foi abandonada, porque foi independente, e que o vínculo entre pais e filhos não se dá na dependência e na insegurança, pelo contrário, se concretiza quando nos fazemos presentes mesmo sem estarmos juntas fisicamente!

Independência X Dependência

Há uma pressão social e também de nós mesmas de que devemos dar conta de todas as necessidades de nossos filhos, e não percebemos o quanto pode ser nocivo para a vida adulta. Quantos adultos que convivemos enfrentam dificuldades em não conseguir fazer escolhas básicas: o que vestir, o que comer, o que lhe dá prazer.

Muitos tiveram uma história em que suas mães eram centralizadoras e tomavam todas as decisões. Promover a autonomia, é viver com mais leveza a maternidade, é saber que podemos não dar conta de tudo e nem saber todas as respostas, é acreditar que a mãe não precisa ser protagonista para ser reconhecida como uma boa mãe.

Ser autônomo é tirar a dependência do outro de você, é bastar-se em si mesmo, é confiar em sua capacidade. Muitas vezes a ajuda dos pais camufla a dominação e a criação de uma interdependência que levamos para a vida adulta. É necessário confiarmos e criarmos oportunidades para que nossas crianças sejam confiantes e acreditem em sua capacidade! Portanto, sejam desnecessárias!

Daniela Mendes, Turismóloga, Educadora, Mãe em Formação que adora escrever sobre os deleites e os desafios da maternidade, busca incentivar a partir de seus textos uma escuta empática e uma construção coletiva de conhecimento com outros pais. É mãe da Antonella, de 2 anos e idealizadora do projeto @dani.tanahoradocafematerno.

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