Alimentação

Introdução Alimentar: Facilitando essa nova etapa na vida do bebê

Até o sexto mês de vida, o leite materno é suficiente para nutrir e hidratar o bebê. A amamentação exclusiva, quando possível é a melhor opção, pois fornece todos os nutrientes necessários para o crescimento, desenvolvendo e saúde da criança.

De qualquer forma, se você não conseguiu amamentar ou oferecer exclusivamente o leite materno, fique tranquila, pois existem hoje no mercado fórmulas lácteas infantis ricas em nutrientes e vitaminas essenciais.

Para saber qual a melhor opção, converse com o pediatra que acompanha seu filho(a).

Mas voltando ao assunto, nesse texto falaremos sobre introdução alimentar. Quando deve ser iniciada, segundo especialistas, como fazer e dicas para facilitar essa nova etapa na vida do bebê.

Quando deve ser iniciada e porque introduzir outros alimentos?

De acordo com a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), o leite materno é a base da alimentação do bebê. É ideal que seja exclusivo até o sexto mês de vida e mantida, sempre que possível, até o segundo ano de vida da criança.

A SBP orienta ainda que o momento adequado para que a introdução de outros alimentos seja feita, é partir do sexto mês do bebê:

“Quando o desenvolvimento neuropsicomotor e os sistemas digestivo e renal estão plenamente prontos para receber alimentos diferentes dos líquidos. Esta recomendação se mantém mesmo para as crianças que não estão em uso de leite materno.”

Posição da SBP sobre o guia de alimentação do Ministério da Saúde

A OMS (Organização Mundial da Saúde), também orienta a introdução aos seis meses, pois a partir dessa idade o bebê precisa de um aporte maior de nutrientes e seu organismo está pronto para digerir novos alimentos.

Como fazer a introdução alimentar?

Os primeiros alimentos devem ser oferecidos com textura pastosa (papas, purês), aumentando a consistência gradativamente e sem rigidez de horário, ou seja, respeitando sempre a vontade da criança.

Isso é super importante, para que seu filho(a) desenvolva a habilidade de identificar a sensação de fome. Se o bebê não demonstrar vontade de comer, não insista para que a criança entenda o funcionamento do seu organismo.

Para que você tenha uma noção, pode se basear em intervalos de duas a três horas entre as refeições.

Importante não oferecer “aperitivos”, ou seja, deixar a criança petiscar, pois isso pode atrapalhar a próxima refeição.

Se continuar mamando, a alimentação complementar deve ser oferecida três vezes ao dia, mas se o bebê já estiver desmamado a quantidade de ingestão passa a ser cinco vezes ao dia. Lembrando sempre de oferecer água, já que outros alimentos já fazem parte da dieta.

É importante oferecer alimentos variados diariamente, e de preferência que sejam apresentados para a criança separadamente, para que sinta as texturas e sabores. Lembrando da importância de incluir sempre frutas, legumes e verduras no cardápio.

Evite sucos, mas caso decida oferecer, a melhor opção é dar após as refeições. 

Sopas muito líquidas também devem ser evitadas, pois quanto mais encorpada for a refeição, maior será a densidade enérgica.

“Como a criança tem capacidade gástrica pequena e consome poucas colheradas no início da introdução dos alimentos complementares, é necessário garantir o aporte calórico com papas de alta densidade energética.”

Manual de alimentação departamento de nutrologia da SBP

O sal deve ser usado com moderação e evite açúcares, alimentos industrializados, embutidos, café, enlatados, salgadinhos, refrigerantes, balas e outras guloseimas.

Busque incluir já nas primeiras vezes, refeições o mais completas possível, contendo carnes, hortaliças, cereais, tubérculos e legumes, para que a alimentação seja rica e nutritiva, além de colorida e saborosa.

Tabela de introdução alimentar da Sociedade Brasileira de Pediatria

Para facilitar o entendimento e organização da rotina de alimentação, a Sociedade Brasileira de Pediatria desenvolveu uma tabela, que mostra a evolução do cardápio e apresentação dos alimentos para os bebês a partir do sexto mês de vida:

Faixa EtáriaTipo de alimento
Até o 6º mêsLeite materno exclusivo
Do 6º ao 24º mêsLeite materno complementado
No 6º mêsFrutas (amassadas ou raspadas) Primeira papa da refeição principal (com ovo inteiro cozido e peixe)
Do 7º ao 8º mêsSegunda papa principal
Do 9º ao 11º mêsGradativamente, passar para a refeição da família com ajuste da consistência
No 12º mêsComida da família (observar adequação)

Alergias e intolerâncias

De acordo com o departamento de nutrologia da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), deve-se oferecer alimentos que tenham glúten na sua composição, carnes variadas e ovos, para que diminua os riscos de desenvolvimento de alergias e intolerâncias.

O ovo (clara e gema), por exemplo, podem ser oferecidos já no sexto mês.

Alimentos que não são saudáveis devem ficar fora do cardápio, pois além do baixo valor nutritivo, podem atrapalhar o apetite da criança, competir com alimentos de alto valor nutricional e provocar alergias nos pequenos. Não podem “experimentar” iogurtes industrializados, petit suisse, salgadinhos, doces, sorvetes, biscoitos recheados, entre outros.

Importância da higiene na introdução alimentar

A higiene bucal do bebê deve ser iniciada desde cedo, já nos primeiros dias de vida e com a introdução alimentar os cuidados aumentam.

A higiene exige mais atenção não só para que se evite cáries nos primeiros dentinhos, mas também como prevenção de doenças e contaminações, que além de prejudicar a saúde do bebê e pode ocasionar quadros graves, inclusive levando à enteropatia ambiental, que pode causar má absorção de macro e micronutrientes, de acordo com o departamento de nutrologia da SBP.

Outro ponto que deve ser observado e não menos importante, é a higiene na preparação dos alimentos, limpeza dos utensílios, em especial das mamadeiras (se forem utilizadas) e cuidado com a água a ser oferecida ao bebê.

Os alimentos devem sempre ser preparados em local limpo, oferecido logo após o preparo e caso necessário, devem ser conservados na geladeira e colocados num recipiente bem vedado.

Método BLW – Baby Led Weaning

O método de introdução alimentar BWL – Baby Led Weaning – que traduzido para o português significa “desmame do bebê”, vem ganhando cada vez mais adeptos e trata-se da oferta de alimentos em pedaços para os bebês, ao invés de papas e purês.

A intenção dessa proposta é fazer com que as crianças sintam desde o início da introdução alimentar, as diferentes texturas e consistências naturais dos alimentos, e estimular a autonomia, pois o bebê deve ser estimulado a pegar e levar a comida sozinho até a boca e é ele quem decide o que quer e a quantidade que deseja comer.

A Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda esse método de introdução alimentar, bem como as sociedades da Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos, devido ao alto risco de engasgo, asfixia e falta de evidências que comprovem os benefícios para o bebê.

É importante sempre conversar com o pediatra que acompanha seu filho(a) e se possível buscar a assistência de um nutricionista, para uma orientação mais adequada e assim optar pela melhor maneira de fazer a introdução alimentar.

FONTE: SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e Departamento de nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Você, tem dúvidas sobre introdução alimentar? Está na expectativa dessa nova experiência? Compartilhe conosco as dúvidas nos comentários e se você já passou dessa fase, conta pra gente como foi para você!

Confira aqui soluções inteligentes para de ajudar nesta fase tão gostosa na vida do seu bebê!

Elaine Rota, mãe das gêmeas Ester e Hadassa. Jornalista, formada desde 2008 e empreendedora, especializada em gestão.

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