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Cuidados

Dermatite Atópica – Muito mais que pele irritada

Uma das alergias mais comuns da pele, a dermatite Atópica pode ser confundida com uma simples irritação, mas é muito mais que isso e precisa de tratamento médico e acompanhamento de especialistas.

Pode não parecer, mas essa patologia pode afetar muito o sono e a qualidade de vida de bebês e crianças. Por isso, havendo sinais de dermatite, é necessário procurar orientação médica o quanto antes, para evitar danos à saúde dos pequenos.

Atentas a isso, fizemos um bate-papo com as médicas pediatra/neonatologista, Dra Gislayne Santos e Dra Maria Eduarda Canellas. Nessa conversa, elas orientam sobre o que observar nas crianças e tiram dúvidas sobre o assunto.

O que é a dermatite atópica?

A dermatite atópica (DA), é uma doença inflamatória crônica da pele, que pode ter várias causas. Pode estar associada a doenças respiratórias, como a asma e a rinite alérgica.

Quais os sintomas da dermatite atópica?

A pele é muito seca e com coceira importante, que pode levar a ferimentos.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, sendo que o principal sintoma é o prurido da pele (coceira), além de pele seca e manifestações clínicas características, como localização típica das lesões, história pessoal ou familiar de atopia, tendência a dermatite crônica e recidivante. Entre outros critérios utilizados. Não há nenhum teste laboratorial que seja confirmatório.

O que causa dermatite atópica?

A DA tem causa multifatorial: fatores genéticos, ambientais, psicológicos, alterações na barreira cutânea e imunológicas. Infeções também contribuem para o seu desencadeamento.

Tem cura?

Não tem cura, mas sim controle. A identificação dos fatores irritantes e/ou desencadeantes envolvidos, além de medicamentos principalmente tópicos, permite melhor controle das crises.

Além do pediatra, qual especialista devemos procurar para acompanhamento?

O acompanhamento pode ser feito pelo pediatra geral, dermatologista pediátrico ou alergologista, porém um acompanhamento multidisciplinar com psicólogos e enfermeiros, também é importante, por se tratar de uma doença crônica e que pode ter quadros de infecções recorrentes, podendo até mesmo afetar a qualidade de vida da criança.

A partir de que idade é possível diagnosticar?

Geralmente a DA aparece de forma precoce nas crianças, iniciando-se durante  o primeiro ano de vida. Inicia-se antes dos 5 anos da criança.

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Bebês com que idade podem apresentar sintomas?

A idade de início costuma ocorrer entre os dois e seis meses de idade na maioria dos casos, e costuma melhorar após os dois anos. Antes disso, os bebês apresentam lesões de pele adaptativas à vida extrauterina.

Se não for tratado, o que pode causar na criança e bebê?

As feridas decorrentes da cicatrização inadequada da dermatite atópica podem levar a manchas na pele. Além disso, indivíduos com dermatite atópica apresentam maior risco a infecções por vírus bactérias e fungos, que se não tratadas adequadamente podem evoluir de forma grave.

Existem níveis de dermatite?

Sim, temos as formas leve, moderada e grave. Além das fases das lesões: aguda, subaguda e crônica da doença. Esses estágios podem evoluir sequencialmente ou coexistir em diferentes regiões corpóreas ou até na mesma região.

Como é feito o tratamento?

Devemos reduzir os fatores físicos agravantes: banhos quentes e demorados, contato com lã e fibras sintéticas, unhas compridas e ambiente seco; uso frequente de hidratantes; uso de anti-histamínico para aliviar a coceira, e outros medicamentos que ajudam no controle da inflamação da pele. Lembrar que o uso de medicamentos, deve ser orientado e prescrito pelo médico!

Quais cuidados devemos ter com crianças que tem dermatite atópica? (Banho, piscina, praia, suor)

Crianças com DA, devem ter um número de banho limitado, de preferência 1 vez ao dia, com água tendendo de morna a fria; roupas de algodão; o cloro presente na piscina altera a barreira cutânea; a água do mar deixa a pele mais seca do que o habitual; a coceira pode piorar pelo calor, suor, mudanças de temperatura e alterações do humor. Usar protetor solar com frequência para evitar queimaduras na pele e piora das lesões.

É necessário uso de antibióticos?

O uso de antibiótico só é necessário em caso de infecção da pele por bactérias, o médico deve ser consultado para avaliar!

Vivendo na Pele

Por Elaine Rota

Abaixo temos o depoimento da nossa colaboradora, jornalista e mãe de gêmeas Elaine Rota, que nos conta sua experiência com a dermatite atópica.

Nunca tinha ouvido falar sobre dermatite Atópica, até que uma das minhas bebês apareceu com irritação na pele, que não melhorava por nada. Inicialmente pensei que fossem brotoejas provocadas pelo calor, pois minhas gêmeas nasceram em Porto Alegre, no inverno gaúcho e estávamos morando no Rio de Janeiro.

No começo as lesões eram no pescoço e dobrinhas dos braços, mas evoluiu para outras partes do corpo, afetando inclusive as pálpebras.

Foi quando numa reunião de família, ouvi falar pela primeira em Dermatite Atópica, através da minha cunhada, que é médica pediatra. A partir daí, iniciamos o acompanhamento médico da Ester, com pediatra, alergologista e dermatologista.

Confesso que de cara foi muita informação, mas a adaptação foi tranquila. Tivemos que testar vários sabonetes e hidratantes específicos para dermatite, até encontrarmos um que controlasse os sintomas.

Em casa também não podem faltar, antialérgico, pomada de corticóide, e os banhos não devem ser demorados. Não abusar de exposição ao sol, banhos de mar e piscina, são essenciais. Em algumas ocasiões foi necessário o uso de antibióticos.

Hoje em dia, toda a rotina de cuidados se tornou hábito e a própria Ester, com os seus 5 aninhos, já entende os cuidados necessários e reconhece os sintomas já no início, o que ajuda bastante na prevenção de infecções.

E você, seu filho tem dermatite atópica? Conte seu relato ou compartilhe esse texto com uma mãe cujo filho tenha dermatite.

Elaine Rota, mãe das gêmeas Ester e Hadassa. Jornalista, formada desde 2008 e empreendedora, especializada em gestão.

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