Alimentação

Consumo de alimentos ultraprocessados aumenta durante quarentena e preocupa

Nos últimos 15 anos, de acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada pelo IBGE e divulgada no dia 03 de Abril de 2020,  houve um aumento significativo no consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil, ou seja, alimentos in natura estão perdendo cada vez mais espaço na lista de compras dos brasileiros.

Isso tem preocupado especialistas da saúde e nutrição do país, devido aos grandes impactos que o aumento do consumo desses alimentos podem causar para a saúde das pessoas, incluindo o risco ou gatilho para o desenvolvimento da obesidade em adultos e obesidade infantil, que traz uma série de outros problemas para qualidade de vida das crianças e consequências na vida adulta, como já mencionamos aqui no blog.

Sophie Deram

Para falar sobre esse assunto, contamos com a participação da Sophie Deram, nutricionista doutora da USP e autora do best-seller “O Peso das Dietas”, além de especialista em tratamento de Transtornos Alimentares pelo AMBULIM – Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP.

O que tem motivado o aumento do consumo dos industrializados?

Um dos principais motivos associados a esse aumento, tem sido o ritmo de vida mais acelerado e a proposta de praticidade que tornam os produtos industrializados mais atraentes ao consumidor.

Também no início de abril deste ano, de acordo com a empresa Horus, o consumidor das cidades consumidor das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo buscaram 55% mais uma lata de leite condensado nas prateleiras do mercado, enquanto o sorvete teve um aumento de 56% de procura. Para Sophie Deram, o momento não é de se culpar pelo consumo das chamadas “comfort foods“.

A vida se tornou ainda mais corrida para muitas famílias, principalmente para quem tem crianças pequenas e em idade escolar, devido a adaptação da rotina de estudos e trabalhos para o regime home office e com isso, a busca por alimentos considerados “práticos” e que proporcionem uma sensação maior de satisfação e prazer, tornam-se ainda mais sedutores.

“Quando o prazer é proibido, a vontade aumenta”, conta Sophie, que acredita que a ansiedade causada pelo momento turbulento aumenta o consumo desse tipo de alimento. “Com a pandemia, todo mundo está mais tenso, mais ansioso. Por isso procuramos recompensa na comida. E não é o brócolis que traz essa compensação. São as comidas que têm gordura, açúcar e sal: nosso cérebro adora e elas fazem brilhar uma árvore de Natal na química do cérebro”.

Sugestões para melhorar o cardápio da família

Atender todas as demandas do dia já não é tarefa fácil e incluir alimentos mais saudáveis pede um pouco mais de dedicação e tempo na cozinha. Mas, para Sophie, há uma saída para a alimentação de maior qualidade. “É um desafio cozinhar, é verdade, mas é também uma questão de planejamento. Esse papel não deve ser somente das mães, mas também dos pais; temos que reorganizar a sociedade de acordo com os tempos atuais”.

Outra sugestão é incluir na lista de compras frutas que sejam mais práticas e deixá-las prontas para o consumo (cortadas e lavadas), snacks naturais, como castanhas e pipoca feita em casa, ao invés de salgadinhos e selecionar com mais cuidado os industrializados que colocará no carrinho de compras, devido a má qualidade desses alimentos.

A especialista afirma que um dos grandes problemas está na legislação brasileira, que permite às empresas vender produtos não condizentes com o que está sendo apresentado ao consumidor, em suas propagandas e rótulos. “A embalagem do iogurte, por exemplo, traz a foto do morango, mas no produto quase não tem a fruta, apenas um xarope, um aroma”, conta.

Para explicar a baixa qualidade dos alimentos ultraprocessados, a especialista usa como exemplo os produtos vendidos no continente europeu. “Se lá você pega o mesmo produto, da mesma empresa, ele vai ter de 8% a 10% de fruta. Ou seja, nosso país maravilhoso, em termos de diversidade de frutas, permite comercializar um produto com a imagem de uma fruta sem exigir a quantidade que seria correta”, lamenta Sophie.

Fonte: 

https://censo2020.ibge.gov.br/2012-agencia-de-noticias/noticias/27300-ultraprocessados-ganham-espaco-e-somam-18-4-das-calorias-adquiridas-em-casa.html

Elaine Rota, mãe das gêmeas Ester e Hadassa. Jornalista, formada desde 2008 e empreendedora, especializada em gestão.

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