Vida de Mamãe

Como meu relacionamento com minha mãe mudou depois de ter filhos

Por Cybele Baldin

Quando criança era muito comum brincar de boneca, quando a menina brinca de boneca, nada mais é do que ela aguçando seu sentido materno, e por diversas vezes, replicando o que sua mãe faz. 

Sou a mais velha de 3 irmãos, boa parte da minha infância minha mãe estava conosco em casa.

Na pré adolescência, eu comecei a dar muito trabalho. Na época, meu pai trabalhava em 2 serviços, e mesmo assim, minha relação com ele era melhor. Será que era porque ele não estava lá para me aturar? (risos). Acredito que por ser mulher, diversas vezes existia uma disputa de poder, mãe e filha, mesmo que de forma inconsciente.

Com 16 anos comecei a trabalhar fora. Eu arrumava muita confusão entre roupas e sapatos. Afinal, no armário da minha mãe já tinha o que eu precisava! Então pra que comprar.  O que antes eu achava feio – sapato tipo bico fino, saltos desconfortáveis- naquela altura amava tudo e não queria devolver, aliás eu usava até acabar.

Com 18 anos iniciei a faculdade e passamos a conversamos mais. Ela me esperava voltar, arrumava algo para comer e conversarmos sobre o dia e ela sempre muito atenciosa ao ouvir meus “grandes problemas”. Por sua vez, ela me contava sobre o dia dela. Minha mãe sempre gostou de contar as histórias com seus mínimos detalhes, e eu muitas vezes não tinha paciência para ouvir ela falando.

Mas quando comecei a me preparar para casar, comecei a ver as coisas de uma forma diferente. Bateu aquele sentimento por estar saindo de casa, eu não iria mais ver ela com tanta frequência. Além do mais, não teria tantos privilégios, porque sim é um privilégio sua mãe cuidar de sua casa, cuidar de suas roupas, mas isso não quer dizer que não ajudava, tá?

Casei, e com 10 meses de casada engravidei. Troquei o método contraceptivo, e surpresa! Eu tinha 26 anos, e não me sentia capaz de tanta responsabilidade, mas ela sempre doce e gentil, foi me ajudando. 

Lembro que antes mesmo de ter o meu primeiro filho, eu ia almoçar com ela já com o barrigão, e ela acalmava meu coração, e já aquela paciência que não tinha em ouvi-la antes começou a aparecer, afinal de contas ela já tinha passado por tudo que eu estava passando.

Quando nasceu o meu primogênito, ela pediu férias para ficar nos ajudando, ela fazia comida, ela cuidava de mim.

Um dia, logo que o meu filho nasceu, eu estava exausta, e ela estava lá,. Ficou lá para que nós pudéssemos dormir. Dormi  umas 5 horas seguidas e num determinado momento eu acordei assustada. Ela com seu semblante leve me disse: “Fique em paz, ele está dormindo. Volte a descansar” – Não consegui voltar a dormir por conta do susto, mas fiquei com ela na sala, e ela me fazendo um cafuné. 

Após as férias  ela continuava vindo após o trabalho todos os dias, me ajudava no que fosse preciso, até que eu me sentisse segura, isso não demorou muito, mas foi fundamental ter o apoio dela.

Minha visão mudou ainda mais após aqueles dias intensos. Quando passei a morar próxima dela, além de ter ela mais perto, eu pude ver algo que nunca tinha percebido. Além dela ser uma boa mãe, ela também é uma ótima filha. Cuida da minha avó de 81 anos com todo zelo, o que me incentiva a ser uma filha melhor também.

Hoje é difícil ficarmos longe uma da outra. Somos amigas, claro que isso não quer dizer que concordamos com tudo e amamos tudo que a outra ama. Hoje isso significa que existe um maior respeito de minha parte por ela, comparado ao que tinha com a Cybele de 20 anos atrás.

10 coisas eu posso dizer que aprendi:

  • A pré e a adolescência são fases difíceis, para ambos os lados. Não tenho filho adolescente ainda, mas imagino que deve ser mais difícil administrar a situação, uma vez que aquele ser “bonzinho” ficou “descontrolado”.
  • Se você é mãe de menina, já compre tudo dobrado! Ela vai falar que não gosta das suas roupas e sapatos, mas acredite, depois ela vai amar!
  • Hoje amo contar as histórias com todos os detalhes, e se precisar repito quantas vezes precisar, e ai de quem me cortar, por que vou começar novamente!
  • Ela sempre quer seu bem, portanto ouça os conselhos de sua mãe. Se ela disser “leve a blusa” – leve, pois ela já olhou a previsão do tempo. Isso serve para amizades, namorados e guardas chuvas.
  • Nada como o tempo para mostrar as verdades da vida, e se você for como eu que demorou a entender, nunca foi uma disputa, ela sempre quis seu bem, e por diversas vezes você não entendeu dessa forma. 
  • Ela vai SEMPRE cuidar de você, não importa a idade, e o que você já falou sem pensar, ela fará com alegria. Afinal para ela não crescemos. 
  • A melhor expressão de amor para uma mãe é “Flores em Vida”, faça o que pode hoje.
  • Ela é sua amiga!
  • Abrace, beije, ame, escreva bilhetes, tire fotos!
  • Ainda tenho muito que aprender com ela!

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