Cuidados

A importância de conversar sobre violência sexual com as crianças

Veja todas as orientações sobre como e quando falar sobre o tema

A violência sexual é um tema complexo e pode parecer muito difícil de ser conversado com os pequenos. Porém, por mais delicado que possa ser, não devemos deixar de conversar.

Infelizmente, violências sexuais cometidas contra crianças são comuns. No Brasil não temos dados consistentes sobre o número de casos, mas estima-se que apenas 10% do total de violências chegam a ser denunciadas.  Na maioria dos casos, o agressor é alguém muito próximo à criança, como um familiar ou vizinho.

O diálogo e a informação não garantem que um abuso não possa ocorrer, mas dão instrumentos para que a criança possa entender o que está acontecendo e, possa, sim evitar o abuso ou contar aos pais assim que ocorrer, evitando que se repita.

Como então falar de abuso sexual com crianças?

Ensinando sobre as partes do corpo

Em primeiro lugar, precisamos ensinar para a criança as partes do corpo. As partes íntimas devem ser nomeadas pelos seus nomes corretos (pênis e vagina). Isso vai facilitar o entendimento quando a criança precisar explicar ou contar algo que aconteceu. 

Além disso, devemos explicar que as partes íntimas se chamam assim porque não devem ser tocadas por outras pessoas além da própria criança. Falamos então das exceções, como a troca de fraldas feitas pelos pais ou professora, por exemplo, e os cuidados médicos na presença dos pais.

Falando sobre limites

A criança precisa entender que seu corpo é só dela e que limites devem ser respeitados. Ensinamos então, que se alguém quiser tocá-la ou se ela se sentir desconfortável ela pode negar contato, sair de perto e buscar ajuda.

Além de falar é preciso colocar esse conceito em prática. Não devemos, por exemplo, obrigar uma criança a beijar ou ser beijada, se ela não quiser.

Conversar com clareza e objetividade

É preciso falar claramente para a criança o que pode acontecer. Se falamos algo muito abstrato como “se alguém te fizer mal” ou “fizer algo que te deixa triste” ela não vai entender a mensagem.

Se pedirmos para uma criança pequena descrever alguém malvado, ela provavelmente falará de um vilão das histórias infantis. No entanto, como o abusador pode ser alguém bem próximo, ela precisa saber que ninguém, mesmo que muito íntimo, deve tocá-la, deve pedir que ela o toque, deve vê-la nua, deve fotografar suas partes íntimas e assim por diante.

Fale para a criança que um toque no corpo pode fazer cócegas ou parecer legal, mas isso é desrespeito. E que essas regras valem para adultos desconhecidos, adultos conhecidos e também outras crianças.

Com essa clareza, a criança poderá identificar uma situação de violência e se retirar antes que ela aconteça.

Estabelecer uma relação de confiança

Outro ponto muito importante é criar uma relação de confiança com a criança. Ela precisa ter certeza que ela poderá contar aos pais tudo o que lhe acontece, que os pais sempre irão acreditar nela e que ela não será punida pelo que contar. E os pais precisam manter o que prometeram.

Falando sobre segredos

É muito comum que o agressor peça segredo à vítima ou então faça algum tipo de chantagem. Devemos explicar à criança que adultos não tem segredos com crianças. Que se alguém pede para que ela esconda algo dos pais, há algo errado e ela deve imediatamente procurá-los para contar.

Quando conversar?

            A partir dos 2 anos e meio ou três anos já podemos conversar com a criança. Conversas rápidas e sutis com os pequenos e ir aprofundando no tema conforme a criança cresce.

Essas conversas devem se repetir com freqüência, uma vez não é suficiente. Aproveite deixas, como o banho ou quando a criança se sentir incomodada com o toque de alguém para conversar.

Devemos também estar abertos a responder as perguntas que possam surgir, de maneira clara e objetiva.

Recursos lúdicos

Sempre indico a leitura de livros infantis e também a apresentação de vídeos. Recursos lúdicos são ótimos: ajudam a criança a compreender e auxiliam os pais em como conversar. Após ler um livro ou assistir a um vídeo converse com a criança sobre o que ela entendeu e sobre situações do cotidiano dela que possam ser parecidas.

A informação por si só, não impede absolutamente o abuso sexual, mas o conhecimento é poderoso, especialmente com crianças pequenas que são alvo fácil devido à sua inocência. E lembre-se que apenas uma única conversa não é suficiente. Tente encontrar momento oportunos para reiterar essas mensagens, como a hora do banho ou quando andam nuas pela casa.

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Mãe do Davi de 2 anos e 5 meses, psicóloga desde 2007. Trabalha com atendimento presencial e online em psicoterapia para mães e consultoria para sono, rotina, desfralde, adaptação escolar e outras questões relacionadas ao universo materno infantil.

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